

Postado por cherryblog às 03:53 |
Postado por cherryblog às 00:19 |
Postado por cherryblog às 00:10 |
Postado por cherryblog às 23:35 |
(texto não é recomendado aos diabéticos)
Enquanto eu me lembrava dos meus melhores dias, em um fevereiro distante, olhava tuas fotografias que juntei cheia de saudade de uma paixão quase empoeirada.Postado por cherryblog às 01:38 |
Postado por cherryblog às 12:08 |
Postado por cherryblog às 11:38 |

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
(Carlos Drummond de Andrade)
Postado por cherryblog às 19:43 |

Postado por cherryblog às 09:46 |
Postado por cherryblog às 00:19 |
"…Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando à pé pra casa, avariada.Postado por cherryblog às 01:51 |
A minha vontade começava na boca dele e nela terminava a minha paz. O suplício estendia-se no olhar, que lambia o que antes um decote escondera. As formas soltas, vestidas apenas com as mordidas dos dentes dele.
Midi: Chris Isaak - Wicked Game
07.11.08 - Up date nada Up:
Hoje estréia a coluna da Shi no Palimpnóia. E a nossa lady já começa por um assunto polêmico e, infelizmente, muito atual...
Bora conferir? É só clicar aqui
Postado por cherryblog às 13:33 |
Postado por cherryblog às 01:08 |
"...minha arquitetura em chamas veio abaixo, inclusive os ferros da estrutura, e eu me queimando disse ‘puta’que foi uma explosão na boca e minha mão voando outra explosão na cara dela, e não era a bofetada generosa parte de um ritual, eu agora combinava intencionalmente a palma co’as armas repressivas do seu arsenal (seria sim no esporro e na porrada!), por isso tornei a dizer ‘puta’ e tornei a voar a mão, e vi sua pele cor-de-rosa manchar-se de vermelho, e de repente o rosto todo ser tomado por um formigueiro, seus olhos ficaram molhados, eu fiquei atento, meus olhos em brasa na cara dela, ela sem se mexer amparada pelo carro, eu já recuperado no aço da coluna, ela mantendo com volúpia o recuo lascivo da bofetada, cristalizando com talento um sistema complexo de gestos, o corpo torcido, a cabeça jogada de lado, os cabelos turvos, transtornados, fruindo, quase até o orgasmo, o drama sensual da própria postura, mas nada disso me surpreendia, afinal, eu a conhecia bem, pouco importava a qualidade da surra, ela nunca tinha o bastante, só o suficiente, estava claro naquele instante que eu tinha o pêndulo e o seguro controle do seu movimento, estava claro que eu tinha mudado decisivamente a rotação do tempo, sabendo, como eu sabia, que eu tinha a explorar áreas imensas de sua gula, sabendo, como eu sabia, de que transformações eu era capaz, e foi bem aqui comigo que pensei: ‘peraí que você vai ver só’ ‘peraí que você vai ver ainda’ (...) por isso a coisa foi assim: surgiram, em combustão, gotas de gordura nos metais das minhas faces, meu rosto começou a transmudar-se, primeiro a casca dos meus olhos, logo depois a massa obscena a boca, num instante eu era o canalha da cama, e eu li na chama dos seus olhos ‘sim, você canalha é que eu amo’ e sempre atento aos sinais da sua carne eu passei então a usar a língua, muda e coleante, capaz sozinha das posturas mais inconcebíveis, e não demorou ela mexeu os lábios dum jeito mole e disse um ‘sacana’ bem dúbio, era preciso conhecer de perto sua boca pra saber o que ela tinha dito, e era preciso conhecer essa femeazinha de várias telhas pra saber que sugestão, eu fiz de conta que tinha esquecido tudo e que o mundo agora só tinha aquele apertado metro de diâmetro, continuei o canalha da cama e ela dum jeito mais quente tornou a dizer ‘sacana’, que era o mesmo que dizer ‘me convida pra deitar na grama’ ela que nos arroubos de bucolismo me pedia sempre pra trepar no mato, daí que forjei uma víbora no músculo viçoso da língua, e conformei-lhe cabeça, e uma sórdida altivez, ‘an’ ‘an’ ‘an’ eu disse mexendo a ponta devassa, ‘sacana sacana sacana’ ela disse numa entrega hipnótica, já entrando quem sabe em estado de graça, mantendo contudo as narinas plenas, uma respiração ruidosa tumultuando o colo, os peitos empinados subindo e descendo, (...) e foi pra melar inda mais o desejo dela que levei a mão bem perto do seu rosto, e comecei com meu dedo do meio a roçar o seu lábio de baixo, e foi primeiro uma tremura, e foi depois uma queimadura intensa, sua boca foi se abrindo aos poucos pr’um desempenho perfeito, e começamos a nos dizer coisas através dos olhos (essa linguagem que eu também ensinei a ela), e atento na sua boca, que eu fazia fingir como se fosse, eu estava dizendo claramente com os olhos ‘você nunca tinha imaginado antes que tivesse no teu corpo um lugar tão certo pr’esse meu dedo enquanto eu te varava e você gemia’ e logo seus olhos me responderam num grito ‘sacana sacana sacana’ como se dissessem ‘me rasga me sangra me pisa’, e senti a ponta de sua língua tocando a ponta do meu dedo, lambendo furtiva minha unha, e senti seus dentes, que já tinham perdido o corte, mordiscando a polpa úmida, ela mamava sôfrega a minha isca, e a gente se olhava, e vazava visgo das suas pupilas, e era o mesmo que eu estar ouvindo o que ela tinha dito tantas vezes dum jeito ambivalente ‘não conheci ninguém que trabalhasse como você, você é sem dúvida o melhor artesão do meu corpo’, por isso continuei modelando a lascívia em sua boca, e logo depois desci a mão no gesso quente do pescoço, e não demorou seus poros de ventosa me engoliram gulosamente os dedos, e foi com a boca imunda que eu disse num vento súbito ‘estou descalço’ e vi então que um virulento desespero tomava conta dela, mas eu sem pressa fui dizendo ‘estou sem meias e sem sapatos, meus pés como sempre estão limpos e úmidos’ e eu de repente ouvi de seus olhos um alucinado grito de socorro ‘larga logo em cima de mim todos os teus demônios, é só com eles que eu alcanço o gozo’ e escutando este gemido estrangulado eu canalha sussurrei ‘você lembra do pé que eu te dei um dia? (...) era um pé branco e esguio como um lírio, lembra? (...) O que você fez com o pé que eu te dei um dia?’ (...) e ela entrando em agonia disse suspirando ‘amor amor amor’ e eu vi então que eu tinha definitivamente a pata em cima dela, (...) e me lembrando do escárnio com que ela me desabou eu, sempre canalha, poderia dizer como arremate ‘e quem é o macho absoluto do teu barro?’ e ela fidelíssima responderia ‘você amor você’ e eu poderia ainda meter a língua no buraco da sua orelha, até lhe alcançar o uterozinho lá no fundo do crânio, dizendo fogosamente num certeiro escarro de sangue ‘só usa a razão quem nela incorpora suas paixões’."Postado por cherryblog às 00:06 |
Postado por cherryblog às 00:12 |
Postado por cherryblog às 00:04 |
Porque verto em alegria por saber da sua chegada, deixo que debruce seus olhos sobre mim, eu quero saber do meu desejo refletido neles, saber da sua masculinidade crescendo, da rigidez de seu(s) membro(s). É bom saber de você sem conseguir se soltar dos meus traços, atado a liberdade de me ter sua quando quiser.Postado por cherryblog às 12:53 |
Postado por cherryblog às 00:00 |