sábado, 2 de maio de 2009

blogagem coletiva - o filme da minha vida

Vaguei pela net nessa noite. Fazia tempo que não dedicava uma das minhas noites de insônia à internet. É evidente que, de certa forma, a net perdeu um pouco, mas só um pouco, de sua graça. Mas o problema (se é que assim pode ser chamado), é que estou no último semestre da faculdade. E eu não vou ficar aqui explicando o que isso significa. Além de ser cansativo, o propósito não é esse. O que quero é dizer que indo ao blogue do Jens tomei conhecimento da blogagem coletiva “O filme da minha vida” proposta pelo blogue Fio de Ariadne. Mesmo não inscrita (eu sou uma rebelde!), fiquei com vontade de escrever sobre o filme da minha vida. É uma tarefa difícil escolher um, só um filme, como sendo o da sua vida. Eliminando um aqui e outro acolá, fiquei entre As Pontes de Madison e O crime do padre Amaro. Quem assistiu ao belo filme de East deve entender o motivo. Assim como quem também assistiu aO crime do padre Amaro deve estar se perguntando como pude chegar a tão estranha equiparação. Vamos lá.
Há uns anos atrás, eu me sentia a própria Francesca, só que sem o Robert. E chorava porque essa certeza [que] só ocorre uma vez na vida ainda não tinha acontecido na minha. O Robert apareceu e o Robert se foi. Hoje, o que há, sou eu, a Francesca. Isso me faz chorar. E depois serei eu aquela Francesca senhorinha que recebe de volta todas as cartas que enviou, a passagem que nunca foi utilizada, os livros que compartilhou. E chorarei. Eu sei, soou bem charlatão. Madison não merece isso. Então tá, basicamente é isso: As pontes de Madison poderia ser o filme da minha vida porque me faz chorar. E creiam, não é fácil um filme me fazer chorar. Pode parecer estranho essa analogia, mas é coisa de pele. Sinto na pele a falta que Francesca sente da pele de Robert. E é só isso que falta: a pele dele. Todo o resto é preenchimento. Não queiram entender... Basta saber que As pontes, em mim, é atemporal.
Queria estar bem enganada, mas eu sei que em algum momento, e não falta muito, vou chorar por causa do filme O crime do padre Amaro. Não, não é de desgosto. Só o fato de ter o Gael já é motivo suficiente para não amaldiçoar o Carrera. E deixem-me ser superficial (ou frívola?). Explico: esse filme, ou melhor, essa adaptação cinematográfica da obra literária do sr. Eça, é tema do meu TCC. Tenho 15 dias (15 dias!) para terminá-lo, entregá-lo ao orientador e ainda transformá-lo em artigo científico. E resolvi que vou reler o livro e vou assistir novamente ao filme para só depois fazer as correções necessárias. É provável que eu chore em algum momento desses próximos 15 dias (15 dias!). Se isso não acontecer, tenho a impressão que chorarei ou durante a apresentação para a banca (maldita timidez!) ou depois da apresentação. Torçam para que seja depois. E acho que vou chorar quando for a Portugal, em julho, por conta dessa pesquisa. E acho que em julho, quando (depois ou antes, mas não durante! Se Deus quiser!) apresentá-lo em um simpósio sobre literatura e as múltiplas linguagens (ou algo assim), chorarei. Para mim, Amaro representa a presunção.
Enfim, são dois filmes muito dispares que são significativos por motivos completamente diferentes e, no final das contas, acabei não respondendo como é que pude fazer tão estranha equiparação. Na verdade eu só queria vagar pela net, ter notícias suas e dar notícias de mim...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009


Ainda estamos entrando no ritmo, afinal o Carnaval mal terminou. E que tal começarmos essa semana mais curta com uns minutinhos de agradável leitura? Basta clicar aqui . É rapidinho e indolor...rs

Beijos!

domingo, 22 de fevereiro de 2009


"...esses três dias viveu? Eu não sei se alcançar a felicidade máxima, extasiar-se aí, e sentir que ela, apesar de superlativa, inda cresce, e reparar que inda pode crescer mais... isso é viver? A felicidade é tão oposta à vida que, estando nela, a gente esquece que vive. Depois quando acaba, dure pouco, dure muito, fica apenas aquela impressão do segundo. Nem isso, impressão de hiato, de defeito de sintaxe logo corrigido, vertigem em que ninguém dá tento de si. E fica mais essa idéia que retoma-se de novo a vida, que das portas do Paraíso Terrestre em diante é sofrer e impedimento só. Estou convencido: (...) não viveu esses três dias."
Mário de Andrade, in: Amar, verbo intransitivo.
img: Pedro N. S. Costa

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ciumenta, eu?

Dia desses eu, meu marido e minha filha fomos a um desses famozérimos fast-food's da vida. Estávamos no caixa, enrolados com o brinde que acompanhava o lanche da filhota (que oscilava entre o amarelo, não, não, o azul. O azul não, o roxo. Mas o rosa é tão bonito!!) quando percebi que discretamente meu digníssimo cumprimentava uma morena bonitona. Grandona. Cabeludona. Quartudona. Bem, vocês entenderam (clique aqui para continuar a leitura)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Da Série: As Cartas Que Mandei - VII

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos D. de Andrade, in Ausência


(texto não é recomendado aos diabéticos)

Enquanto eu me lembrava dos meus melhores dias, em um fevereiro distante, olhava tuas fotografias que juntei cheia de saudade de uma paixão quase empoeirada.
Daqui, de onde estou e você também está neste papel couché, existe um horizonte com alguns encantos, mas nenhum igualável ao que tivemos. E na falta das passadas de minhas mãos na primavera do teu corpo, o que me acalenta, neste momento, são essas fotos, ou o espelho do passado.
(Ainda conservo presente teus carinhos e afagos, gestos que as palavras não conseguiram enquadrar nesse mundo - não mais - visível em que seus dedos faziam festa na minha pele e minhas coxas dançanvam com as suas).
No papel, paisagens de lugares onde nunca estivemos juntos, que não atrevemos nos dar. Uma fotografia era luxo demais para um amante cauteloso (ou temeroso?). Mas eu sou louca!, louca!, louca! e guardo teus retratos que, entre uma curva que conserva o perfume quente dos teus lábios ou o traço reto e melancólico dos teus olhos, reconstroem o sonho inacabado, os meus desejos outonais, o encontro de ontem, uma lembrança de tua estada em mim, os desencontros de hoje.
E porque em nenhuma das fotos que possuo de ti contém o som da tua gargalhada que transborda em minha memória enquanto minha língua rabiscava poemas em teu peito (sem vergonha de rimar Amor com Sabor, Meu Poeta), há certa insatisfação por te ver sem te sentir e sentir sem te ver, de ter o meu beijo derretendo-se na boca.
Eu vou me acostumar, mas até lá eu só quero que esse fevereiro acabe.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Somos todos iguais?

Eu acredito que, independente do sexo da pessoa, o ser humano não é de natureza monogâmica. Somos de cultura monogâmica e a palavra "traição" é utilizada, neste caso, como inibitória. Partindo deste princípio, precisamos arrumar "motivos/explicações" para validar os desejos carnais.
Há pouco tempo, diferenciava-se a traição masculina da feminina. (para continuar lendo, clique aqui ou na img abaixo)


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Letra crua na pele nua


"Aqui macho e fêmea são iguais em desejo, temores, expectativas, frustrações e gozos. Aqui damas e cavalheiros gemem e sussurram obscenidades apaixonadas. Vibram de prazer. Nestas páginas pulsam tesão, dor, realização. Pedaços da vida. "
Apresentação de José Edi Nunes da Silva

"Suely era aqui e agora, carne exigente, terra firme e terremoto debaixo do corpo. Suely não admitia limites, era um nunca acabar de energia e lascívia como ele jamais teria imaginado em suas fantasias mais audaciosas, enquanto de noite cavalgava Estela pensando em algum par de coxas resplendentes."
Adelaide Amorim in O homem do metrô

"O amor não contém segredo. Esse, o segredo, quero contar dentro dos teus lábios (meu ponto de entrega), tão latente quanto o beijo. Mas antes do beijo (promessa do que virá), antes de tirar da tua boca o gosto das uvas para deixar o meu, quero saborear a proposta de paixão. Quero o deleite de saber que ecoa em teus lábios o "te quero", com mais intensidade que qualquer querer meu sobre você."
Aline Belle in Quando a alma se rende às exigências da carne

"Emanuelle passeava suas mãos naquelas costas nuas, firmes, ora apenas tocava-as com as pontas dos dedos; ora ia até a nuca. Esse gesto deixava-o completamente arrepiado, os pelos eriçados e isso acendia ainda mais o desejo em Emanuelle, que num átimo de segundo desceu as mãos da nuca dele e tocou com firmeza seu membro que àquela altura estava rijo, inabalável, feito pedra; e os seios dela, firmes, duros, nas costas dele, era a combustão para manterem-se naquele intenso estado de tesão."
B. in No mundo dos negócios

"Não foi amor o que acontecera na cama. Fora pecado rasgado e absolvido no fluxo incandescente que regou as peles e marcou as carnes como entre si pertencentes. As imagens se moveram e o negativo da fotografia nada mais era que o passado cobrando do presente a realização da fantasia maior, aquela que fora mansamente acariciada no sussurrar do tempo. Como se esse tempo estivesse devendo o que entre as minhas pernas gritava para desaguar."
Dama de Vermelho in Reencontro

"Quero você, ela disse várias vezes compulsivamente. Eu também diria se sofresse daquela ausência que Suely sentia nos seus dias de completa solidão. Ele disfarçava, contornava o pote, sugeria, insinuava, deixava-a mais doidinha. Enquanto ele falava, Suely não se conteve e passou a tocar-se por baixo do lençol freneticamente. Era o seu Sidney ali, pertinho dela, em voz, pelo aparelhinho, o tal celular."
Dira Vieira in Sob lençóis

"Comecei a deslizar as mãos pelo peito dele, descendo em direção ao cinto de sua calça, o desafivelei rapidamente, abrindo o cós da calça e o livrei da peça. Ele me ajudou, pois tirou os sapatos com os próprios pés, enquanto subia as mãos na direção dos meus seios, acariciando-os, e apertando-os, então foi sua vez de virar-me na direção da porta batendo minhas costas nela, o que me fez gemer de dor, e perceber que aquilo havia doído nele."
Esyath Barret in Encontro ou desencontro?

"Ela lambe sua face feito um gato, empapando-a com sua saliva. As unhas entram na pele de suas costas deixando filetes de sangue que, diluídos no suor, correm pelas suas costas. A violência com que trepam e o precário abrigo não permitem que eles se demorem. Tão brusco como começou, acabou."
Igor Maciel in Conversão

"Mathieu parou e fitou o rosto de Isabelle. Estava de pé, olhos fechados, sussurrando baixinho para que não parasse. Encostou-a na parede e começou a desatar o nó que prendia sua blusa, enquanto segurava com força seus pulsos contra a parede. A língua foi para dentro da boca e das orelhas dela. A barba tatuou marcas vermelhas no pescoço. Beijou e mordeu pescoço e mamilos."
Srta. Bia in Budapeste

"Com o exibicionismo luxurioso dos gatos que sabem estar sempre sendo admirados, ele caminhou pelo quarto e foi até a janela onde, completamente nu, exibindo ao mundo seu corpo perfeito, encheu os pulmões com o ar fresco da madrugada nas montanhas e, entre profundas inspirações e lentas expirações, acariciava com as mãos seu corpo viril. Vagarosamente afastou-se da janela e estendeu-se sobre a cama onde continuou a acariciar-se até provocar, em si próprio e em mim, uma enorme e imperiosa excitação que só nos daria sossego com outro corpo ou, presos nas solidões dos nossos quartos, com nossas próprias mãos."
Zeca in A vida através do espelho...


Aí está a nova coletânea de autores blogueiros.
Erotismo de mão cheia, se é que vocês me entendem...

Para maiores informações é só clicar aqui!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Receita de ano novo
















Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Presente de Natal...

...e de 2008.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sonhos de uma vida de verão

Pois é, pois é...

Hoje eu estou lá, na minha outra casa, falando sobre um dos meus sonhos. Final de ano tem disso, né? A gente se põe a sonhar, a planejar, desejar...

Então, clique aqui para saber qual o sonho mais recorrente dessa minha vida!


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Salve o tricolor paulista, amado clube brasileiro, tu és forte, tu és grande. Dentre os grandes o PRIMEIRO!


Primeiro e único HEXA!!!!


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Divã

"…Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando à pé pra casa, avariada.
Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo [...]. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu patio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte.
Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo.
Não era amor, era melhor”

Martha Medeiros, in: Divã

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Se alguém me procurar, avise, por favor, que estou aqui:

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Da Série: As Cartas Que Mandei - VI

A minha vontade começava na boca dele e nela terminava a minha paz. O suplício estendia-se no olhar, que lambia o que antes um decote escondera. As formas soltas, vestidas apenas com as mordidas dos dentes dele.
O que eu precisava era de seus beijos selvagens, de carícias mais ousadas, abraços mais quentes, do despudor nas mãos apalpando, assanhando, correndo apressadas e margeando os poros. Era o seu corpo imberbe que eu queria gozando só para mim absoluto como um deus.
E cheguei a fazer promessa a essa sua divindade, ao sentir seu sexo teso de desejo procurando espaços entre as minhas coxas abertas pelas carícias de suas mãos, de que dissiparia a dor que mastigava nos seus olhos se sua boca fosse meu eterno ninho. Ah, essa constante vontade da minha boca na sua boca, da minha língua esculpindo seus lábios ao mesmo tempo em que eu, salivando feito fêmea faminta, me encaixava no seu eixo...
Enquanto eu pedia que não parasse, que não se afastasse de mim, pensava que seria capaz de dar um dedo para me apaixonar por ele e que me doaria por inteira se essa paixão fosse recíproca, caso seu coração se entregasse a mim como a ele entregava o meu corpo. Que eu seria o seu trago mais profundo, a dose mais forte, o último gole no qual meu sorriso entorpeceria ebriamente em seu sangue. Inteira, para ser a razão do seu eterno cio. Que esvaeceria minha alma no subterrâneo da sua pele, que se deixasse despiria suas defesas, seria seu calor, sua sorte, se me devorasse, se me domasse sempre com a mesma força e ritmo que suas mãos impunham aos meus quadris.
Mas o meu único vínculo com ele não é outro senão de atingir o gozo mais ardente e a vontade de conduzir minha vida no seu corpo, sem gritos encarcerados ou preces que aplaquem nossa fúria de natureza descontrolada...



Midi: Chris Isaak - Wicked Game

07.11.08 - Up date nada Up:

Hoje estréia a coluna da Shi no Palimpnóia. E a nossa lady já começa por um assunto polêmico e, infelizmente, muito atual...
Bora conferir? É só clicar
aqui

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"Falhas nas conexões cerebrais"

Eu não tenho tido pouca coisa para fazer. Assim como não tenho tido, desde que nasci, muita organização para executar todas as coisas que tenho que fazer. mas mesmo assim eu me comprometo e, sabe Deus lá como, consigo cumprir com a maioria dos meus compromissos, ainda mais quando tenho prazos. Funciono bem sob pressão, se é que vocês me entendem...
Há os compromissos chatos, aqueles que a vida nos empurra goela abaixo, mas há aqueles que escolhemos, que nos dão prazer, honra e divertimento. Esse, o mais novo empreendimento da Loba (minha parceira de quase-tudo), escolhi fazer parte porque estou no meio de gente competente, porque sei da qualidade, porque tenho certeza de que me divertirei e porque sei que vocês apreciarão. Então, basta clicar na imagem abaixo, afinal estão todos convidados a conhecer

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O que você fez com o pé que eu te dei um dia?

"...minha arquitetura em chamas veio abaixo, inclusive os ferros da estrutura, e eu me queimando disse ‘puta’que foi uma explosão na boca e minha mão voando outra explosão na cara dela, e não era a bofetada generosa parte de um ritual, eu agora combinava intencionalmente a palma co’as armas repressivas do seu arsenal (seria sim no esporro e na porrada!), por isso tornei a dizer ‘puta’ e tornei a voar a mão, e vi sua pele cor-de-rosa manchar-se de vermelho, e de repente o rosto todo ser tomado por um formigueiro, seus olhos ficaram molhados, eu fiquei atento, meus olhos em brasa na cara dela, ela sem se mexer amparada pelo carro, eu já recuperado no aço da coluna, ela mantendo com volúpia o recuo lascivo da bofetada, cristalizando com talento um sistema complexo de gestos, o corpo torcido, a cabeça jogada de lado, os cabelos turvos, transtornados, fruindo, quase até o orgasmo, o drama sensual da própria postura, mas nada disso me surpreendia, afinal, eu a conhecia bem, pouco importava a qualidade da surra, ela nunca tinha o bastante, só o suficiente, estava claro naquele instante que eu tinha o pêndulo e o seguro controle do seu movimento, estava claro que eu tinha mudado decisivamente a rotação do tempo, sabendo, como eu sabia, que eu tinha a explorar áreas imensas de sua gula, sabendo, como eu sabia, de que transformações eu era capaz, e foi bem aqui comigo que pensei: ‘peraí que você vai ver só’ ‘peraí que você vai ver ainda’ (...) por isso a coisa foi assim: surgiram, em combustão, gotas de gordura nos metais das minhas faces, meu rosto começou a transmudar-se, primeiro a casca dos meus olhos, logo depois a massa obscena a boca, num instante eu era o canalha da cama, e eu li na chama dos seus olhos ‘sim, você canalha é que eu amo’ e sempre atento aos sinais da sua carne eu passei então a usar a língua, muda e coleante, capaz sozinha das posturas mais inconcebíveis, e não demorou ela mexeu os lábios dum jeito mole e disse um ‘sacana’ bem dúbio, era preciso conhecer de perto sua boca pra saber o que ela tinha dito, e era preciso conhecer essa femeazinha de várias telhas pra saber que sugestão, eu fiz de conta que tinha esquecido tudo e que o mundo agora só tinha aquele apertado metro de diâmetro, continuei o canalha da cama e ela dum jeito mais quente tornou a dizer ‘sacana’, que era o mesmo que dizer ‘me convida pra deitar na grama’ ela que nos arroubos de bucolismo me pedia sempre pra trepar no mato, daí que forjei uma víbora no músculo viçoso da língua, e conformei-lhe cabeça, e uma sórdida altivez, ‘an’ ‘an’ ‘an’ eu disse mexendo a ponta devassa, ‘sacana sacana sacana’ ela disse numa entrega hipnótica, já entrando quem sabe em estado de graça, mantendo contudo as narinas plenas, uma respiração ruidosa tumultuando o colo, os peitos empinados subindo e descendo, (...) e foi pra melar inda mais o desejo dela que levei a mão bem perto do seu rosto, e comecei com meu dedo do meio a roçar o seu lábio de baixo, e foi primeiro uma tremura, e foi depois uma queimadura intensa, sua boca foi se abrindo aos poucos pr’um desempenho perfeito, e começamos a nos dizer coisas através dos olhos (essa linguagem que eu também ensinei a ela), e atento na sua boca, que eu fazia fingir como se fosse, eu estava dizendo claramente com os olhos ‘você nunca tinha imaginado antes que tivesse no teu corpo um lugar tão certo pr’esse meu dedo enquanto eu te varava e você gemia’ e logo seus olhos me responderam num grito ‘sacana sacana sacana’ como se dissessem ‘me rasga me sangra me pisa’, e senti a ponta de sua língua tocando a ponta do meu dedo, lambendo furtiva minha unha, e senti seus dentes, que já tinham perdido o corte, mordiscando a polpa úmida, ela mamava sôfrega a minha isca, e a gente se olhava, e vazava visgo das suas pupilas, e era o mesmo que eu estar ouvindo o que ela tinha dito tantas vezes dum jeito ambivalente ‘não conheci ninguém que trabalhasse como você, você é sem dúvida o melhor artesão do meu corpo’, por isso continuei modelando a lascívia em sua boca, e logo depois desci a mão no gesso quente do pescoço, e não demorou seus poros de ventosa me engoliram gulosamente os dedos, e foi com a boca imunda que eu disse num vento súbito ‘estou descalço’ e vi então que um virulento desespero tomava conta dela, mas eu sem pressa fui dizendo ‘estou sem meias e sem sapatos, meus pés como sempre estão limpos e úmidos’ e eu de repente ouvi de seus olhos um alucinado grito de socorro ‘larga logo em cima de mim todos os teus demônios, é só com eles que eu alcanço o gozo’ e escutando este gemido estrangulado eu canalha sussurrei ‘você lembra do pé que eu te dei um dia? (...) era um pé branco e esguio como um lírio, lembra? (...) O que você fez com o pé que eu te dei um dia?’ (...) e ela entrando em agonia disse suspirando ‘amor amor amor’ e eu vi então que eu tinha definitivamente a pata em cima dela, (...) e me lembrando do escárnio com que ela me desabou eu, sempre canalha, poderia dizer como arremate ‘e quem é o macho absoluto do teu barro?’ e ela fidelíssima responderia ‘você amor você’ e eu poderia ainda meter a língua no buraco da sua orelha, até lhe alcançar o uterozinho lá no fundo do crânio, dizendo fogosamente num certeiro escarro de sangue ‘só usa a razão quem nela incorpora suas paixões’."

Raduan Nassar, in: Um copo de cólera.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Woody Allen + Patrícia Highsmith = Dostoievsky??????

Lembro que meu gostar de livros começou quando me mudei para um bairro distante de onde morava e voltei a estudar no período da manhã. Devia ter uns 16 anos. Por conta da minha timidez, não conseguia fazer amigos, tinha apenas colegas de classe. Com os meninos minha relação era apenas de ouvir e rir das piadas infames e conversas sobre histórias em quadrinho e com as meninas, bem... Elas eram preocupadas demais com os cabelos, com a maquiagem, com a última edição de Capricho e o episódio anterior de Barrados no baile. Não que eu não lesse Capricho ou não assistisse Barrados no baile, lia e assistia, mas não tinham tanta importância a ponto de servirem de motivos para longas e empolgadas horas de conversa com elas.
Foi então, por falta do que fazer, com quem conversar, de onde ir, que descobri a Biblioteca Municipal.
A princípio ia até lá quase todos os dias para ler jornais e revistas. Com o tempo fui me embrenhando pelas estantes e descobrindo o prazer de correr os dedos pelos livros ligeiramente empoeirados.
O primeiro que peguei para ler foi um de Patrícia Highsmith, O Talentoso Mr. Ripley. Gostei tanto de Thomas Ripley, um anti-herói que faz de tudo para se dar bem e curtir a vida a doidado, sempre passando a perna nos outros e aplicando golpes, que li todos os outros da série.
Gamei nele. No seu jeito sombrio, no sentimento de inadequação, irônico, sua necessidade velada (?) de ser aceito, amoral, em vários momentos, patético e, a todo tempo, sedutor. Isso, Ripley é um sedutor, você não quer, mas o ama.
Não quer amá-lo porque ele mata, engana, mente como ninguém, rouba, ri da desgraça alheia e da sua também. Porém, do mesmo jeito que é calmo e tranqüilo agindo dessa forma, super na dele, é demasiadamente infeliz com a sua vida medíocre. Thomas Ripley tem o que há de mais podre e o que há de mais belo da humanidade.
O que me fez ler as outras obras onde ele é a personagem principal foi essa frase dele (ou algo assim): “Sabe o que é interessante sobre fazer algo terrível? É que depois de alguns dias, você nem se lembra do que fez...” e Patrícia, hábil em tratar dos absurdos humanos, faz questão de relembrá-lo de todos os crimes que cometeu em todos os livros da série.
Tom, de tão emblemático, foi parar no cinema. Apesar de bons atores (Matt Damon, John Malkovich, Alain Delon) interpretando-o, os filmes ficaram uma porcaria perto dos livros. Nenhum deles conseguiu passar o carisma de Thomas.
Engraçadamente, em Match Point, filme de Woody Allen, o tenista, que tem como filosofia de vida que “é melhor ter sorte do que ser bom”, interpretado por Jonathan Rhys-Meyers consegue captar toda a essência de Ripley (com um lema como esse, já dá pra perceber que boa bisca ele não é, né?).
O filme de Woody tem, praticamente, a mesma trama, o mesmo anti-herói (claro que com outro nome), e ainda assim muita gente diz que esse filme, Match Point, foi influenciado por Dostoievsky (Crime e Castigo). Mas para entender isso, só mesmo lendo Highsmith, assistindo ao filme de mr. Allen e lendo o Fiodor (alguém aí ainda não o leu????).
E após completar a triologia sugerida, você se perguntará, como eu me perguntei: porque dizer que é influenciado por Dostoievsky?
Bom, é mais cool, aos 16 anos, dizer que prefere ler Highsmith ao invés de Capricho, assim como é mais cult fazer um filme tendo como base Crime e Castigo do que O Talentoso Mr. Ripley....
(autoria: Aline Belle Legramandi)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Das alegrias que a internet me traz!

Há pessoas que acham que essa coisa de internet, blogues, msn, grupos de discussão e afins são coisas para pessoas carentes, que não têm o que fazer, as que têm problemas em se relacionarem com outras sem a proteção de um monitor.... Claro que há pessoas assim, mas generalizar é burrice. Não entender que a internet é um canal valiosíssimo é tacanhice.
Pior! É deixar a oportunidade de conhecer pessoas bacanérrimas, de trocar informações, saberes, experiências. É perder, quem sabe, a única oportunidade de amar, de fazer amizades deliciosas, de se perder em paixões, construir laços.
Tudo isso já me aconteceu. E muito mais! Neste “muito mais” posso listar: receber sabonetinhos das mãos da Srta. Bia e achar o máximo o jeito gostoso como ela fala, o carteiro me entregando mimos da Shi e o livro da Dora, assistir peça de teatro com o Gênio, a minha primeira experiência profissional como revisora de textos, me perder em São Paulo, em um dos encontros anuais que tenho com a Alessandra (A Brabuleta) e nem perceber de tanto que ríamos e conversávamos, ouvir a voz da Elise, beijar o rosto da Ariane, ver o brilho dos olhos verdes (ou eram azuis? Ai a minha daltonice!) da Shumy... E, finalmente, depois de cinco anos, poder abraçar A Muié:
Pegar (n)a dona Loba é bondimaisdaconta, sô!


Agradecimentos especiais ao fotógrafo,
outra pessoa muito legal que a internet
me deu o prazer de conhecer.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sem hora para acabar

"seja o avesso seja a metade
se for começo fique a vontade"
Me deixe mudo - Walter Franco
(na voz do Chico, claro...)




Porque verto em alegria por saber da sua chegada, deixo que debruce seus olhos sobre mim, eu quero saber do meu desejo refletido neles, saber da sua masculinidade crescendo, da rigidez de seu(s) membro(s). É bom saber de você sem conseguir se soltar dos meus traços, atado a liberdade de me ter sua quando quiser.
Seus dedos segredando (com) a rosa, inventando corações, redesenhando o altar em que queima seus dedos. O corpo a estremecer no ir e vir de suas mãos com fome que é minha.
E eu aceito (com)o afago, os sonhos, as pequenas mortes, como se um chamado fosse, um pedido de socorro, uma prece, que me penetra e é absolvida de qualquer confissão. É edificante saber das minhas palavras em sua boca, esse emblema divino de desespero e perdição, em sua voz, rouca, que dentro de mim ecoa e goteja quereres perdidos em um verso de poesia soletrada na surdina, uníssona, onde se instala seu verbo urgente.
Preciso da sua língua a lamber com apetite a minha, a embriagar-me, a "assinar minha pele com sua saliva"; eu a lhe proporcionar a melhor seiva. Preciso que sinta a minha respiração parar, o meu cheiro misturado ao seu, meus pêlos eriçarem num arrepio, eu com gosto seu. Suas mãos me livrando das vestes, meus sentidos se perdendo sob seu toque, ao deslizá-las, minuciosamente, por onde a vida se faz promessas.
A nossa noite começará sem hora para acabar, vou te recitar um sonho, te colocar entre minhas coxas, te encaixar onde me liqüefaço, estridente e insensata, na firmeza de suas carícias, que me preencha, que ocupe os espaços que são seus, minhas pernas fechando-se em suas costas, o seu sexo invadindo o meu, que germine a sua eternidade em mim...
O peso do seu corpo, a se entregar sem controle, espalhado sobre o meu, dentro de mim, a derramar todos os seus devaneios entre todos os meus lábios...
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Meme

Como sou:
Outro dia, estava comentando com um amigo meu:
- Mulher melância. Mulher moranguinho. Mulher melão. Céus! Eu escolhi ser a fruta errada!!!
E ele:
- tsc tsc... Quer pagar de meiguinha, viu no que deu?
O que meu amigo não falou é que eu sou pequenininha mesmo. Porém, ele sabe, muito mais saborosa...

O que você desperta nas pessoas:
A primeira vista? Estranheza. Essa minha timidez destoa completamente...

Minha última relação:
Acabou. Estou encantada pela próxima...

Onde queria estar agora:
Numa rede...

Como você sente o amor:
De forma branda. Segura. Que te conforta, abriga. Autônomo.

Como você passa pela vida:
Eu estou me divertindo.

Escolha só um desejo:
É pouco. Quero mais...

Uma frase inesquecível:
Não nasci pra fazer citações. O que é uma pena.

Uma frase para o próximo:
Vide resposta anterior.

Obrigada Beti e Crys, que gentilmente se lembraram de mim ao repassarem a tarefa de responder essa meme.